Dunas no Brasil: 7 destinos que vão além da praia comum

Tem uma coisa que aprendi viajando pelo Brasil: a gente subestima muito o próprio país. Enquanto todo mundo sonha com dunas no Marrocos ou no Saara, aqui dentro temos cenários que não ficam devendo nada a lugar nenhum do mundo. E quando digo isso sobre dunas, estou falando de verdade.

Nos últimos anos, fui conhecendo destinos brasileiros com dunas que vão desde o litoral nordestino até o coração do cerrado tocantinense. Cada um tem uma cara completamente diferente, um ritmo próprio e detalhes que só você descobre quando está lá. Neste post, reuno os que mais me marcaram, com informações práticas que realmente importam: como chegar, quando ir, quanto esperar gastar e o que ninguém te conta antes.

Por que as dunas brasileiras são diferentes

A maioria das pessoas associa dunas a deserto seco e calor insuportável. Mas o Brasil quebra esse padrão. Aqui, você encontra dunas que convivem com lagoas de água doce, igarapés, manguezais e até florestas. Essa combinação é rara no mundo e faz com que a experiência seja bem mais completa do que só andar na areia.

Outro ponto: o nível de preservação ainda é alto em vários desses destinos. Claro que a pressão do turismo cresce a cada ano, então vale ir com responsabilidade e respeitar as áreas protegidas.

Os destinos que valem a viagem

Lençóis Maranhenses (MA) — o clássico que continua surpreendendo

Eu sei que você já ouviu falar dos Lençóis. Mas ouvir falar e estar lá são duas experiências completamente diferentes. As fotos não conseguem capturar a escala do lugar: são quase 70 km de dunas brancas intercaladas com lagoas de água doce e transparente, formadas pelas chuvas entre janeiro e junho.

O período ideal para visitar é entre julho e setembro, quando as lagoas ainda estão cheias e o tempo já está mais seco. Se você for em outubro ou novembro, as lagoas diminuem bastante e algumas somem. Em janeiro e fevereiro, o acesso fica difícil por causa das chuvas intensas.

A base mais comum é Barreirinhas, com mais estrutura e mais opções de hospedagem. Mas se você quiser uma experiência mais tranquila, vale considerar Santo Amaro ou Atins, vilas menores dentro do próprio parque. Atins especialmente tem um charme à parte: você chega de barco ou 4×4, o sinal de celular é fraco e o tempo parece passar mais devagar.

Logística: O aeroporto mais próximo é em São Luís (MA), a cerca de 250 km de Barreirinhas. De lá, a opção mais prática é o transfer compartilhado, que custa entre R$ 80 e R$ 120 por pessoa e leva umas 4 horas. Tem também ônibus, mais barato mas bem mais demorado. Diárias em Barreirinhas variam de R$ 150 a R$ 500 dependendo do tipo de acomodação. Em Atins, espere pagar a partir de R$ 600 por uma acomodação independente.

Jericoacoara (CE) — mais do que pôr do sol na duna

Jeri tem fama, e parte dessa fama é merecida. A Duna do Pôr do Sol é o cartão-postal mais famoso, mas o que me prendeu mesmo foi a Vila: ruas de areia, sem carros, com aquele ritmo que faz você perder a noção das horas.

O que pouca gente planeja é explorar os arredores. A Lagoa do Paraíso, a uns 25 km de Jeri, é uma das lagoas mais bonitas que já vi. E a Pedra Furada, acessível a pé pela beira-mar na maré baixa, é daquelas coisas que ficam na memória.

Um erro que cometi na primeira vez: fui em julho achando que seria tranquilo. Jeri em alta temporada fica bem movimentada, especialmente nos fins de semana. Se você busca mais sossego, vá em abril ou maio, logo depois das chuvas, quando a vegetação está verde e as lagoas estão cheias.

Logística: O acesso é por Jijoca de Jericoacoara. Você pode voar para Fortaleza e pegar um transfer (cerca de R$ 100 por pessoa, 5 horas de viagem) ou pousar em Jijoca pelo aeroporto regional, com voos saindo de Fortaleza e São Paulo. De Jijoca até a vila, você precisa de um 4×4 pelas dunas — está incluído no transfer ou você paga uns R$ 30 por pessoa na hora. Acomodações na vila custam a partir de R$ 250 por noite em pousadas simples e chegam a R$ 700+ em lugares mais estruturados.

Genipabu (RN) — dunas com adrenalina perto de Natal

Genipabu fica a uns 25 km de Natal e é um dos passeios mais populares do Rio Grande do Norte. As dunas aqui têm uma dinâmica diferente: você pode descer de buggy (com ou sem emoção, como eles chamam), e a adrenalina é parte da experiência.

Mas tem um lado de Genipabu que a maioria dos turistas não explora: a Lagoa de Genipabu, que fica no meio das dunas, e a orla mais tranquila ao norte, menos movimentada do que a Praia de Genipabu principal. Se você for de madrugada para ver o nascer do sol sobre as dunas, praticamente não vai encontrar ninguém.

O passeio de buggy custa em torno de R$ 250 a R$ 350 por buggy (comporta até 4 pessoas) e dura de 1h a 2h dependendo do roteiro. Tem agências em Natal que organizam o transfer + passeio por cerca de R$ 120 por pessoa.

Uma dica de economia: se você tiver carro, pode ir por conta própria. O estacionamento na entrada custa uns R$ 20 e dali você negocia o buggy direto com os condutores, geralmente mais barato do que contratar pela cidade.

Jalapão (TO) — dunas no meio do cerrado

Esse foi o que mais me surpreendeu. Quando fala em Jalapão, a maioria pensa nos fervedouros, aquelas nascentes com água cristalina onde você fica flutuando naturalmente. Mas as dunas do Jalapão são impressionantes e completamente fora do contexto que você espera: campos de areia laranja em meio ao cerrado verde, com o Rio Novo ao fundo.

É um destino que exige mais planejamento. Não tem asfalto até lá, e a viagem de estrada a partir de Palmas leva umas 6 horas em veículo 4×4. A maioria das pessoas vai em grupo com agência especializada, e os preços refletem isso: pacotes de 4 dias saem a partir de R$ 2.500 por pessoa com transporte, guia, hospedagem e algumas refeições.

A temporada ideal é de junho a setembro. No período chuvoso (novembro a março), muitas estradas ficam intransitáveis e parte dos atrativos fecha.

Logística: Palmas tem aeroporto com voos de São Paulo, Brasília e Goiânia. De Palmas, você vai precisar de agência ou carro 4×4 para chegar até a região. Não tente de carro comum — já vi gente ficar atolada na estrada de terra sem ter como sair.

Itaúnas (ES) — dunas que engoliam uma cidade

Itaúnas tem uma história que impressiona qualquer um: na década de 1970, as dunas avançaram tanto sobre a vila original que a cidade precisou ser reconstruída em outro lugar. Hoje, embaixo da areia, ainda existem os resquícios da antiga Itaúnas — e quando o vento está forte, você consegue ver partes de antigas estruturas emergindo.

A vila nova tem um clima bem especial. É dentro do Parque Estadual de Itaúnas, então o desenvolvimento é controlado. Tem boas pousadas, restaurantes com frutos do mar frescos e aquele ritmo de praia pequena onde todo mundo se cumprimenta na rua.

A praia de Itaúnas é ótima para surf quando bate vento sul, e a trilha pelas dunas até a Praia dos Melões é um dos percursos mais bonitos que já fiz no litoral capixaba. Leva umas 2 horas de ida e a vista lá do alto das dunas é recompensadora.

Logística: O acesso mais comum é por Conceição da Barra, a 27 km. De carro, você sai de Vitória pela BR-101 e leva cerca de 3 horas. Não tem como chegar de transporte público com facilidade — se você não for de carro, a opção é fretado ou transfer. Hospedagem começa em torno de R$ 200 por noite nas pousadas simples.

Praia dos Ingleses (SC) — dunas no sul do Brasil

Poucos associam Florianópolis a dunas, mas o norte da ilha tem campos de areia que fazem parte do Parque Municipal das Dunas da Lagoa da Conceição e também nas redondezas dos Ingleses. É uma experiência bem diferente das dunas nordestinas: o vento frio, a água mais verde e a vegetação de restinga dão outro caráter ao lugar.

As dunas dos Ingleses são acessíveis a pé a partir da praia e não exigem guia. O acesso é gratuito, mas tem horários recomendados para não pegar o sol forte do meio-dia. De manhã cedo ou no fim da tarde, a luz é mais bonita e o calor mais tolerável.

Florianópolis tem aeroporto com voos para todo o Brasil, e de lá você chega aos Ingleses em uns 40 minutos de carro ou ônibus. É uma boa opção para quem quer combinar a experiência das dunas com a infraestrutura de uma cidade grande.

Erros comuns em viagens para destinos com dunas

Depois de algumas dessas viagens, aprendi algumas lições na marra:

  • Não subestime o calor: areia reflete muito mais calor do que você imagina. Protetor solar com FPS alto (50+), chapéu e água em quantidade maior do que você acha que vai precisar são obrigatórios.
  • Calçados errados: sandálias abertas ficam cheias de areia e te machucam. Nos destinos como Jalapão e Lençóis, tênis de trilha leve é a melhor opção. Em praias mais tranquilas, pé no chão mesmo.
  • Ir na alta temporada sem reserva: os destinos menores, como Atins e Itaúnas, têm capacidade limitada de hospedagem. Em julho e janeiro, lotam semanas antes.
  • Esquecer o câmbio ou dinheiro em espécie: em Atins, Itaúnas e vilarejos do Jalapão, a maioria dos lugares só aceita dinheiro ou tem maquininha com sinal instável. Saque antes de chegar.

Como escolher o destino certo para você

A escolha depende muito do que você quer da viagem. Se a prioridade é paisagem única e está disposto a encarar uma viagem mais trabalhosa, o Jalapão e os Lençóis compensam cada detalhe da logística. Se você quer dunas acessíveis sem abrir mão de estrutura e praias agitadas, Genipabu e Jericoacoara são mais fáceis de encaixar numa rotina de viagem. Para quem está no Sul ou Sudeste e quer algo mais perto, Itaúnas e os Ingleses são ótimas opções sem precisar de avião.

O Brasil tem dunas suficientes para você planejar uma viagem diferente a cada ano. E garanto que, quando você estiver no alto de uma duna olhando para uma lagoa azul no meio do nada, vai entender por que vale tanto a pena explorar o próprio país.

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