Como eu descobri o Braseiro Bom Bom
Eu não estava procurando um lugar novo pra jantar quando ouvi falar do Braseiro Bom Bom. Um amigo me mandou foto da fila na calçada da Rua Marcos Azevedo, em Pinheiros, com a legenda: "isso abriu há três dias e já tá lotado." Sabe quando você já sabe que vai aparecer lá antes do fim de semana? Pois é.
O projeto é do chef Rômulo Morente, o mesmo por trás do Moela e do Sururu — duas casas que quem frequenta Pinheiros e Higienópolis conhece bem. Desta vez ele voltou às origens: churrasco na brasa, chope com técnica e aquele clima de bar que não tenta ser sofisticado demais, mas também não é descuidado.
O ambiente: descomplicado de propósito
Cheguei numa quinta-feira por volta das 19h30. Tinha fila, mas não era absurda — esperamos uns 20 minutos na calçada. A entrada já tem mesas ao ar livre, e a vibe é essa: mistura de tudo. Na minha frente tinha um grupo de amigas bem produzidas, do lado uma família com duas crianças e, ao fundo, galera de escritório que provavelmente tinha saído direto do trabalho.
Por dentro, o salão é tomado por fotos nas paredes e o bar fica logo no centro das atenções — literalmente, porque a chopeira gigante é o primeiro elemento que você avista. As grelhas ficam ao fundo, visíveis de boa parte das mesas. Tem aquele cheiro bom de brasa que você sente já na calçada.
As mesas não têm toalha. No lugar, você recebe uma folha de papel personalizada e um marcador para riscar quantos chopes já bebeu. É o tipo de detalhe que parece bobo, mas diz muito sobre a proposta do lugar: sem cerimônia, sem frescura.
O chope: aqui tem técnica de verdade
Antes de falar de comida, preciso falar do chope porque é um diferencial real, não só marketing. O Braseiro Bom Bom usa um sistema de refrigeração com câmara fria exclusiva para os barris e a tubulação fica continuamente resfriada. As torneiras combinam gás carbônico e nitrogênio para criar uma espuma mais densa.
Parece detalhe técnico chato, mas na prática a diferença aparece no copo: a espuma é cremosa, o chope chega na temperatura certa e não aquece rápido. Tomei um Brahma clara (R$ 12,90) e depois uma Brahma Black (R$ 14,90). Para quem tem o costume de reclamar do chope industrializado, vale provar aqui antes de bater o martelo.
Se não for de chope, tem caipirinha a partir de R$ 29, drinques autorais e uma carta de vinhos enxuta com taças por R$ 28 e garrafas entre R$ 160 e R$ 220.
O cardápio: churrasco com personalidade
A lógica do cardápio é simples: cortes para compartilhar entre duas ou três pessoas, entradas que misturam clássico e autoral, e frituras que claramente puxam referência dos outros bares do Morente.
As entradas que você não vai querer pular
Pedi o tutano assado (R$ 42) por curiosidade e virou favorito da mesa. Vem com pasta de alho confit, tomate seco, anchova, alcaparras e azeitonas — tudo para espalhar no pão. É gorduroso, intenso e completamente justificável.
O Bom Bom (R$ 51) é o carro-chefe das entradas: bombom de alcatra com purê de cogumelos na brasa, tutano e coentro. Funcionou bem, embora o coentro vá dividir opiniões como sempre.
Para quem quer algo menos pesado antes da carne, a picanha de cordeiro (R$ 52) com purê de cabotiá e gremolata de hortelã é uma boa pedida — mais leve, bem equilibrada.
As frituras: sim, você vai pedir
As frituras têm aquela pegada dos outros bares do Morente. Os pastéis de galeto com catupiry (R$ 18) e de queijo com cebola caramelizada (R$ 18) são do tipo que somem antes de você perceber. A versão de coraçãozinho (R$ 21) é para quem já conhece e curte.
Se quiser algo mais caprichado, as batatas portuguesas com chistorra e linguiça picante (R$ 55) rendem bem para compartilhar, e a versão com polvo grelhado (R$ 85) é uma boa aposta se a mesa for de pelo menos quatro pessoas.
As carnes: o motivo de todo o resto
Fomos em três e dividimos a fraldinha (R$ 270). Chega à mesa em fatias, bem passada na brasa, com a casca levemente carbonizada e o interior no ponto — pelo menos no meu caso foi assim. Os acompanhamentos são escolhidos à parte: fomos de farofa de ovos e batata portuguesa. Saímos satisfeitos e sem resto no prato.
Os outros cortes disponíveis são costela (R$ 295), picanha (R$ 290), cupim assado (R$ 285), bife ancho (R$ 270) e galeto inteiro (R$ 180). Para dois, o galeto é uma boa opção de valor mais acessível dentro do cardápio. Para grupos maiores, a costela e a picanha fazem mais sentido em termos de rendimento.
Os acompanhamentos disponíveis incluem arroz de brócolis, arroz biro-biro, batata portuguesa, farofa de ovos, farofa de banana e molho à campanha. Nada revolucionário, mas todos bem executados.
Sobremesa
Tem pudim de leite. Não perguntei o preço, mas pedimos e era um pudim honesto, daqueles sem surpresa. Bom para terminar.
Quanto vai sair no bolso
Fomos três pessoas. Conta final com duas entradas, uma porção de pastel, a fraldinha com dois acompanhamentos, quatro chopes e uma sobremesa: saiu em torno de R$ 520 no total, algo como R$ 173 por pessoa. Não é barato, mas também não é absurdo para Pinheiros com churrasco e bebida inclusa.
Se quiser gastar menos, a estratégia é focar no galeto (R$ 180), pedir uma entrada para compartilhar e segurar no vinho — o chope sai mais em conta e é melhor que a maioria dos pedidos de vinho a copo por aqui.
Dicas práticas antes de ir
- Fila: chega cedo ou vá em dia de semana no horário de abertura. Quinta e sexta à noite já estão cheios rapidamente.
- Horário: quarta a sexta das 12h às 16h e das 18h às 23h30; sábado das 12h às 23h30; domingo das 12h às 18h.
- Reserva: até a minha visita não havia sistema de reserva disponível — verifique no perfil deles antes de ir.
- Estacionamento: Pinheiros é complicado. Vá de metrô (estação Fradique Coutinho da linha 4-Amarela fica a uns 10 minutos a pé) ou use aplicativo de caronas.
- Grupos grandes: avise com antecedência, porque as mesas menores giram mais rápido e grupos acima de seis pessoas podem esperar mais.
- Crianças: vi famílias com crianças à vontade, o ambiente é bem democrático nesse sentido.
O que eu mudaria
O barulho interno é alto quando a casa está cheia — e ela vai estar cheia. Não é um lugar para conversa íntima. Se for para um encontro mais tranquilo, tente as mesas externas na calçada.
Alguns preços das entradas pesam um pouco quando você soma com o corte principal. Vai com o mindset de compartilhar tudo e o valor faz mais sentido.
Vale a fila?
Sim. Não por ser novidade — novidade passa rápido em São Paulo. Mas porque tem uma proposta clara que é executada com cuidado: churrasco sem pretensão de ser steakhouse, chope tratado com seriedade e petiscos que mostram que tem um cozinheiro pensando no menu. É o tipo de lugar que vai virar programa fixo para quem mora ou trabalha perto de Pinheiros.
Braseiro Bom Bom fica na Rua Marcos Azevedo, 102, Pinheiros, São Paulo.